PROJETO FORMIGUINHA

Os primeiros passos

Esse é o primeiro Projeto realizado pela Associação Amigos da Mata. A idéia surgiu a partir da observação da própria região. Sítios afastados uns dos outros, crianças e jovens em pequenos grupos pela estrada, ausência de uma praça ou campinho, dificuldade de locomoção. Essas crianças fazem parte de núcleos familiares com baixa renda e alto índice de analfabetismo, estudam em duas escolas locais bastante deficitárias, e não têm acesso a nenhuma atividade extracurricular.
Conversando com as famílias ficou também evidente um baixo desempenho escolar na maior parte das crianças e jovens, um grande desinteresse em dar continuidade aos estudos e a falta de perceptiva profissional.

Somando todos esses fatores ao desejo de contribuir efetivamente para o desenvolvimento da comunidade onde atua, a Associação decidiu focar seus esforços iniciais na criação de um espaço onde essas crianças e jovens fossem estimulados a buscar o conhecimento e a desenvolver suas capacidades.

O primeiro movimento, após a conquista e reforma da sede, uma simpática casinha de arquitetura rural, foi motivar os pais a deixarem as crianças freqüentarem o Projeto. Logo ficou claro que, devido às características geográficas da região e a falta de transporte público, a locomoção seria um grande empecilho. Nesse caso, a contratação de um serviço de transporte foi uma condição fundamental. Também foram construídos móveis, comprados materiais para artes e esportes, equipamentos e utensílios para o lanche, construído um campinho para práticas esportivas, confeccionado uniformes e arrecadadas doações de brinquedos, jogos e livros.  
Todas as atividades, os materiais, o lanche, o uniforme e o transporte são oferecidos gratuitamente às crianças e jovens matriculados.

O dia a dia
Embora o objetivo que moveu a ação estivesse claro, o Projeto, num movimento formiguinha, só foi tomando forma com o tempo. Como não havia nenhum modelo a seguir, foi necessário desenvolver uma prática educativa nova adaptada ao contexto sócio-cultural desse grupo, a grande variação de faixas etárias e aos recursos disponíveis. Foi preciso também estabelecer uma relação de confiança com as crianças e abrir os canais de comunicação com as famílias.
Hoje, dois anos depois, no dia-a-dia do Projeto, podemos identificar que uma dinâmica própria foi construída. O espaço físico é ocupado pela garotada com a segurança, a intimidade e o respeito de quem se sente como em sua própria casa. Várias atividades são desenvolvidas simultaneamente e, de modo geral, são eles mesmos que se organizam em brincadeiras, jogos, em atividades de arte e nos computadores. A hora do reforço escolar, no início rejeitada por muitos, hoje traduz o interesse por aprender, o respeito mútuo e a cooperação: quem sabe não zomba do que esta em dúvida, ajuda.
No Projeto nós escutamos música, dançamos, rimos, conversamos, lemos e criamos histórias, enfeitamos os murais, estudamos, pintamos e desenhamos juntos. Enquanto uns pulam corda, outros cuidam da horta, brincam de boneca ou de fazer comidinha de terra. Pode-se jogar queimado ou futebol, depende da vontade da maioria. Palavrão não pode, mas abraço pode. Na hora do lanche muitos ajudam montando os sanduíches, arrumando as mesas e, no final, se o chão fica sujo alguém pega a vassoura e varre. Os maiores distribuem as escovas de dente para os menores. Todas essas situações, tudo o que acontece durante o dia no Projeto, representam atividades educacionais de grande significado.



     

As atividades
O Projeto Formiguinha, atualmente, funciona dois dias na semana e as atividades são orientadas por uma equipe de três profissionais. O principal objetivo é criar um ambiente de aprendizagem onde as crianças e os jovens trabalhem com autonomia e de forma cooperativa, com trocas recíprocas e liberdade.
Às sextas feiras a garotada é dividida em dois turnos, formados de acordo com os horários escolares, e o foco são as atividades de Educação Física: vôlei, futebol, jogos recreativos e brincadeiras populares. As crianças são divididas em dois grupos de acordo com as faixas etárias. Enquanto um grupo utiliza o campo o outro desenvolve trabalhos de artes.
Aos sábados também funcionamos com dois turnos só que as crianças são divididas de acordo com as faixas etárias.
As crianças menores, que vão ao Projeto pela manhã, brincam livremente com jogos, bonecas, carrinhos, blocos lógicos e outros brinquedos, são orientadas no uso dos computadores, têm atividades de reforço escolar, artes e, após o lanche, utilizam a biblioteca Amigos do Livro quando é sempre contata alguma historinha.
A turma de jovens, que são estimulados a levarem livros para ler em casa, começam a tarde contando para o grupo a história que leram. Em seguida eles se organizam livremente em jogos de campo. Após o lanche são desenvolvidos debates e trabalhos em grupo sobre assuntos da atualidade, paralelos ao reforço escolar, além de atividades de arte e teatro.
Quando são programadas festividades ou exposições de trabalhos todos participam ativamente da montagem e organização.
No dia a dia do Projeto está sempre presente a prática da educação ambiental voltada principalmente para a valorização do ecossistema que nos cerca e para a conscientização da importância da sua preservação.
Recebemos também a contribuição de voluntários como a do artista plástico Lucas Cebrián que durante os meses de janeiro e junho de 2007 desenvolveu trabalhos de artes com a garotada.





Metodologia
A metodologia utilizada se baseia essencialmente nos conceitos apresentados pela Pedagogia de Projeto – John Dewey. Entre eles:
-o educando como agente ativo da construção do seu próprio conhecimento.
-os conteúdos ensinados devem despertar nos educandos a motivação para a mudança de comportamento.
-o processo de aprendizagem deve estimular uma visão crítica de mundo possibilitando um desenvolvimento
social por parte dos educandos.
-os educadores devem levar os educandos a aprender a utilizar o conhecimento adquirido.

A equipe

Denise Tati Pereira da Silva cursou Pedagogia na Univ. Santa Úrsula e se especializou em Educação através da Arte: Escolinha de Artes do Brasil / Prof. Augusto Rodrigues e Teatro Tablado. Além de dar aulas de artes e teatro há mais de 30 anos, idealizou e participou de vários projetos nessa área realizados na capital, periferias e interior do estado do RJ. Mora em Secretário desde 1992 e coordena as atividades do Projeto Formiguinha desde 2007.

Vanessa Marquesim cursou Letras com licenciatura em Língua Portuguesa e Literatura na Univ. Estácio de Sá tendo participado de seminários, cursos, trabalhos voluntários e oficinas tais como: Escrita e oralidade, Produção textual, A leitura na vida do cidadão, Literatura para jovens e crianças, entre outras. Estagiou em escolas Municipais e Estaduais, participando de aulas de Português e Literatura. Vanessa mora em Secretário e atua como professora no Projeto Formiguinha desde 2007.

Andréa Borrawes cursou Letras, com Licenciatura na Língua Inglesa, na Universidade Católica de Petrópolis. Possui Pós Graduação em Gestão na Faculdade Castelo Branco. Coordenou a implementação da língua Inglesa no Colégio Cedi em Petrópolis, e no Colégio Espaço Ativo, Itaipava, onde também coordenou o Ensino Fundamental II, o Ensino Fundamental I e a Educação Infantil durante 8 anos. Atualmente atua como coordenadora e professora de inglês do curso de Línguas Suffolk. Mora em Secretário desde 2003 e atua no Projeto Amigos da Mata desde o início de 2009.